Gripe A-A-A-Ai que medo!

1 de Setembro de 2009. Fim de férias (para
quem as teve no “querido” mês de Agosto), regresso à rotina (para quem a tem,
nos restantes meses não tão “queridos”).
As indicações do Ministério da Saúde estão
espalhadas por todos os lados (televisão, rádio, jornais diários ou semanais,
pagos ou gratuitos, revistas – sérias ou de “brincar às bonecas e aos bonecos” -,
paragens de autocarros, nos próprios autocarros - e outros transportes
públicos, com rodas ou sem elas -, etc)... (muitos etc).
A verdade é que não podemos ver (nem ouvir)
ninguém a espirrar ou a tossir (que não faça como recomendado), sem que
tentemos fugir para o local mais afastado possível, a fim de evitar a tal
contaminação.
O juízo está feito à partida: quem espirra
(ou tosse) não acredita que é gripe: é apenas constipação. Para quem vê (ou
ouve), acredita imediatamente que é o vírus da letra A. Mesmo quando finge não
acreditar, brinca, com expressões “Ai a gripe A”. Eu corrijo: a expressão devia
ser “Ai a gripe, ai”.
Por mais que se fuja, estamos (os comuns
“mortais” que viajam de transportes públicos) limitados ao número de lugares
sentados ou em pé, e não há muito por onde fugir.
Usar uma máscara, dizem os entendidos, não
“funciona” para quem não foi “apanhado” mas para evitar a transmissão por quem
já a “apanhou”.
Depois há a questão das mãozinhas: onde as
pôr? Para quem espirra (ou tosse), nunca à frente da boca quando o faz
(vamos lá lembrar-nos de utilizar o antebraço ou temos lá tempo de puxar pelo
lenço de papel, que nunca está à mão...). Quem (ainda) não tosse (ou espirra),
é inevitável ter de agarrar ou tocar nas diversas coisas que tem para agarrar
ou tocar no dia-a-dia: nos transportes (para quem os utiliza), nos cafés,
restaurantes, bares, discotecas ou boites, o garfo, a faca, os copos, e outros
etc...
Fugir para outro país, temo que também não
resulte (a julgar pelos mapas e gráficos tão divulgados): mais tarde ou mais
cedo, há-de lá chegar.
Depois vêm as teorias que tentam explicar o
“fenómeno”: umas, que isto é “obra” das farmacêuticas e dos hospitais (afinal
de contas, as doenças são o seu ganha pão... ou deve dizer-se “milhão”), que
têm de escoar o produto (o já famoso Tamiflu – pelo sim pelo não, é melhor
andar com uma embalagem no bolso, como o outro senhor apresentador de
televisão). Outras, afirmam que esta gripe não fará tantas vítimas como a
“outra”, a dita “normal” (que, pasme-se, faz mais danos, por ano, do que
possamos imaginar).
De uma forma ou de outra, já todos entrámos
em pânico calmamente (como disse um outro).
Se por um lado a mensagem do dito
Ministério é não alarmar mas tentar previnir (neste momento a prioridade já não
é a prevenção mas a imediata contenção do “alastramento”), a comunicação social
dá conta, minuto a minuto, do estado da pandemia – o que não ajuda e lá estamos
nós todos, calmamente, a panicar.
Há que tratar, sim, as pessoas afectadas e
infectadas, mas há que tratar o civismo de todas as outras que (ainda) não
foram. A educação e o respeito que temos (ou devemos ter) para com os outros
podem, neste país (já) desenvolvido, minorar este problema mundial e de todos
nós.
Pelo menos até à próxima gripe (a “B”, se
seguir correctamente o alfabeto). Enquanto isso, uns rezam, outros aguardam que
não lhes “toque” a eles (ou aos próximos) ou que algum milagre (ou descoberta
científica) aconteça e vá “destruindo” todas estas “doenças”.
Até lá,atenção aos gafanhotos, perdigotos e
outros “otos”, que se vão “espalhando” pelas bocas e narizes deste (Portugal)
mundo.
* * *
não espirre ou tussa para cima dos outros.
In : Nhac ah ah